A saturação

O tema da saturação foi referido num tópico dedicado a outro assunto, que descambou rapidamente.
Parece-me importante e resolvi puxá-lo para fora para o tornar mais visível.
A saturação é um fenómeno inevitável e receio que isto seja só o começo. Há algumas centenas de milhar de praticantes de deportos de ar livre em Portugal, que são potenciais futuros geocachers. Não será de estranhar se daqui a meia dúzia de anos nos acontecer o mesmo que à Suécia, que tem mais de 20 mil caches e uma população semelhante à nossa, apesar de terem 4.5 vezes mais “espaço” do que nós.
Quando comecei, há 4 anos, haviam menos de 150 geocachers portugueses inscritos, e menos de 300 caches activas. Hoje os geocachers são mais de 2500 e as caches mais de 5000. Curiosamente manteve-se a proporção de 2 caches por cada inscrito.
Não me causou entusiasmo atingirem-se certas marcas, não vi grandes motivos para se comemorar as 5 mil caches escondidas, mas também não podemos pôr tudo o que é recente no mesmo saco.
É normal que um geocacher novo queira esconder a “sua” cache. A falta de experiência pode não ajudar mas o que se pede é bom senso para que a cache traga um valor acrescentado. Se já existem caches em “todos” os lugares interessantes da sua zona então deve alargar o raio de acção.
Deve-se abster é, por exemplo, de esconder caches como uma que eu conheço que fica a pouco mais de 500 metros de outra mais antiga, que naturalmente mostra o mesmo tipo de geologia e flora e a única diferença é ver-se a bela paisagem que motivou a criação da primeira de um ângulo de 5º mais ao lado.
Situações destas realçam a importância que pode vir a ter uma ferramenta como o GCVote, para nos ajudar a seleccionar as caches que vale a pena visitar.
Outro problema que surge com o aumento do número de geocachers é a maior necessidade de manutenção das caches, e não só pelo maior número de visitas. Os geocachers novos não são "piores" do que os antigos. A diferença é que se admitirmos que antes haviam 5% de "maus" geocachers (descuidados a procurar, trocam a cache de sítio, etc), em termos absolutos eram menos de 10 no total do país. Agora serão mais de 100... É uma questão estatística e neste aspecto pouco há a fazer para além de tentar divulgar melhor as regras de conduta.
Quanto à questão da criatividade, é óvbio que agora não vamos desatar a esconder caches “criativas”. Mas ao contrário do que dizes, um contentor criativo pode tornar a cache muito intessante mesmo que a paisagem à volta não o seja.
Alguns bons exemplos disso mesmo são a H5N1 ou a Alien Invasion.
Falando da minha experiência enquanto owner, tenho uma cache que é a “Escadas Camufladas” que começou por ser uma cache tradicional num local desconhecido da maioria e com algum interesse histórico e arquitectónico. Mais tarde aproveitei a paisagem e outros dois pontos interessantes que existiam num raio de 150 metros e “liguei-os” através de um esquema que penso ser original. O “sucesso” da cache aumentou e não será alheio ao uso da criatividade para a “condimentar”.
O contentor não é apenas o objecto que acolhe a cache. Também contribui para a experiência e sendo o geocaching uma actividade de descoberta, é preferível por vezes encontrar um contentor diferente do habitual do que uma vulgar caixa de plástico.
Em relação às caches nas áreas de serviço, por mim, são bem-vindas. Não servem o objectivo essencial do geocaching que deve ser mostrar locais desconhecidos interessantes mas cumprem na perfeição o aspecto lúdico e têm a grande virtude de ajudar a desanuviar da condução e contribuir para uma viagem um pouco mais segura.
Quanto aos powertrails, alguns não me chocam. Penso que são uma forma de ajudar a entreter durante um passeio pedestre. Já fiz uma ou outra caminhadas relativamente longas com paisagem um pouco repetitiva e um powertrail podia-as tornar menos monótonas.
Parece-me importante e resolvi puxá-lo para fora para o tornar mais visível.
Torgut Escreveu:O meu ponto, neste contexto, é que em várias áreas do país a saturação de caches atingiu o ponto em que qualquer adição será forçadota, dispensável. Como tudo, existe um limite para o razoável. Cada qual terá o seu conceito desse limite. Para muitas áreas de Portugal, o meu conceito desse limite já foi atingido. A última cache que criei acho que foi há dois anos. Não reconheço na minha área operacional locais que mereçam caches. Muitos, quase todos, prefeririam largar mais um contentor num lugar desinteressante ou de interesse reduzido e banal, descendo assim na hierarquia qualitativa. Eu para já prefiro não o fazer. Acho que mais vale nada do que descer o nível, que já anda muito por baixo.
A parte de tudo isto em que o conceito de "recém chegado" entra é que com toda a naturalidade quem já colocou umas quantas caches tem o seu "o que quer que seja" saciado, e com mais probabilidades se absterá de saturar o que já está saturado. Já quem chega, é o contrário, por duas razões: primeiro, porque tipicamente quer participar plenamente, criando; segundo, porque não tem em si a noção qualitativa que vem de trás.
De resto em ambos os dois posts recentes apercebo-me de algo preocupante: o foco parece estar na criatividade. Espera... criar... criar o quê? Os pontos espectaculares foram criados pela Natureza, pelos romanos, pelos visigodos, pelos nossos comtemporâneos. Esses é que precisaram de criatividade. Quando tudo o que vale a pena destacar, visitar, conhecer, ficando-se mais ou menos fascinado com a experiência já recebeu uma cache, não estou a ver como é que a criatividade dos owners pode renovar a situação. Com ideias engraçadas para esconder o container? Mas espera... o container é apenas, e repito, apenas, uma ferramenta para que uma cache não seja vandalizada. É preciso não confundir o meio (o contentor, e como se encontra escondido), com o fim.
A saturação é um fenómeno inevitável e receio que isto seja só o começo. Há algumas centenas de milhar de praticantes de deportos de ar livre em Portugal, que são potenciais futuros geocachers. Não será de estranhar se daqui a meia dúzia de anos nos acontecer o mesmo que à Suécia, que tem mais de 20 mil caches e uma população semelhante à nossa, apesar de terem 4.5 vezes mais “espaço” do que nós.
Quando comecei, há 4 anos, haviam menos de 150 geocachers portugueses inscritos, e menos de 300 caches activas. Hoje os geocachers são mais de 2500 e as caches mais de 5000. Curiosamente manteve-se a proporção de 2 caches por cada inscrito.
Não me causou entusiasmo atingirem-se certas marcas, não vi grandes motivos para se comemorar as 5 mil caches escondidas, mas também não podemos pôr tudo o que é recente no mesmo saco.
É normal que um geocacher novo queira esconder a “sua” cache. A falta de experiência pode não ajudar mas o que se pede é bom senso para que a cache traga um valor acrescentado. Se já existem caches em “todos” os lugares interessantes da sua zona então deve alargar o raio de acção.
Deve-se abster é, por exemplo, de esconder caches como uma que eu conheço que fica a pouco mais de 500 metros de outra mais antiga, que naturalmente mostra o mesmo tipo de geologia e flora e a única diferença é ver-se a bela paisagem que motivou a criação da primeira de um ângulo de 5º mais ao lado.
Situações destas realçam a importância que pode vir a ter uma ferramenta como o GCVote, para nos ajudar a seleccionar as caches que vale a pena visitar.
Outro problema que surge com o aumento do número de geocachers é a maior necessidade de manutenção das caches, e não só pelo maior número de visitas. Os geocachers novos não são "piores" do que os antigos. A diferença é que se admitirmos que antes haviam 5% de "maus" geocachers (descuidados a procurar, trocam a cache de sítio, etc), em termos absolutos eram menos de 10 no total do país. Agora serão mais de 100... É uma questão estatística e neste aspecto pouco há a fazer para além de tentar divulgar melhor as regras de conduta.
Quanto à questão da criatividade, é óvbio que agora não vamos desatar a esconder caches “criativas”. Mas ao contrário do que dizes, um contentor criativo pode tornar a cache muito intessante mesmo que a paisagem à volta não o seja.
Alguns bons exemplos disso mesmo são a H5N1 ou a Alien Invasion.
Falando da minha experiência enquanto owner, tenho uma cache que é a “Escadas Camufladas” que começou por ser uma cache tradicional num local desconhecido da maioria e com algum interesse histórico e arquitectónico. Mais tarde aproveitei a paisagem e outros dois pontos interessantes que existiam num raio de 150 metros e “liguei-os” através de um esquema que penso ser original. O “sucesso” da cache aumentou e não será alheio ao uso da criatividade para a “condimentar”.
O contentor não é apenas o objecto que acolhe a cache. Também contribui para a experiência e sendo o geocaching uma actividade de descoberta, é preferível por vezes encontrar um contentor diferente do habitual do que uma vulgar caixa de plástico.
Em relação às caches nas áreas de serviço, por mim, são bem-vindas. Não servem o objectivo essencial do geocaching que deve ser mostrar locais desconhecidos interessantes mas cumprem na perfeição o aspecto lúdico e têm a grande virtude de ajudar a desanuviar da condução e contribuir para uma viagem um pouco mais segura.
Quanto aos powertrails, alguns não me chocam. Penso que são uma forma de ajudar a entreter durante um passeio pedestre. Já fiz uma ou outra caminhadas relativamente longas com paisagem um pouco repetitiva e um powertrail podia-as tornar menos monótonas.