por Torgut » sexta set 11, 2009 01:50
Caches mistério e caches em locais fisicamente exigentes são duas realidades que não devem ser confundidas. As primeiras, não deviam existir. Estou ciente da popularidade delas, o que não é de estranhar. A resolução de enigmas e a procura de uma cache são exercícios que tipicamente apelarão ao mesmo "mercado", apesar de no meu caso pessoal não se passar assim. Mas se crítico a existência de caches mistérios, não é por factores ou preferências pessoais. A verdade, inegável, mesmo por quem gosta dessas charadas, é que resolver um mistério nesse plano, seja ele qual for, não é Geocaching.
Quer dizer, "legalmente" é, porque a Groundspeak assim o decidiu. Da mesma forma como decidiu que Webcaches e Virtuais deixaram de ser Geocaching. São ajustamentos por Decreto, tão válidos como um Decreto que amanhã decidisse que a língua oficial em Portugal é o cantonês, e a religião, a muçulmana. É a voz de quem pode, que se faz ouvir. Lógica, ética, sentido, ficam de fora.
A mesma linha de pensamento se aplica às Earth Caches. Não existe nenhuma razão válida para a existência destas caches virtuais para além da voz imperativa da Groundspeak. O facto de serem virtuais já me incomoda. Compreendo a excepção, baseada em louváveis motivos pedagógicos, mas o que é indefensável é o carácter de privilégio dado à geologia. Como ciência, como elemento do conhecimento beneficiado pela excepção à abolição de caches virtuais, não existe nada que possa justificar este monopólio da geologia, em relação, por exemplo, a História, à botânica, à zoologia. A não ser, de novo, o carácter imperativo da Groundspeak. Um dia, alguém na empresa, acordou, e decidiu que assim seria. Nós comemos, e calamos. Alguns, comem, lambem-se e aplaudem. Mas não é por isso que está correcto.
Mas estavamos mesmo a falar era de mistérios. Pois discordo, em toda a linha da sua existência. Ao contrário do que alguns querem fazer crer, Geocaching é algo definido, não é o que se quiser fazer dele. Comer gelados a ver o pôr-do-sol não é Geocaching. É outra coisa. Passar oito horas a olhar para um enigma, não é Geocaching, é outra coisa. E não posso concordar que para se ter acesso ao acto de Geocaching associado aquela coisa, se tenha que ultrapassar essa prova, que não tem qualquer relação com Geocaching. Já espero que a maioria dos participantes neste fórum, gostando de caches mistério, discorde disto. Gostaria era que houvesse algum distanciamento entre um gosto pessoal, e a avaliação de uma situação num plano superior. Não é pelo facto de gostar de batatas fritas que em dias da minha vida defenderia caches cuja pesquisa e achamento estivesse dependente do consumo de pacotes de meio quilo de batata frita.
Já uma cache no topo da Europa ou no fundo do mar, é uma cache, como qualquer outra. Cumpre o conceito criado a que se deu o nome de Geocaching. Esconder uma caixa, publicar as coordenadas, esperar que outros utilizadores de GPSr a encontrem. Umas serão mais complicadas, outras mais simples. Urbanas, rurais. Drive-in, ou exigindo longas caminhadas. Todas elas, são contudo o mesmo: Esconder uma caixa, publicar as coordenadas, esperar que outros utilizadores de GPSr a encontrem. A filtragem progressiva dos que podem ir a que caches é incontornável, tão natural e inevitável como respirarmos. Logo, nesse sentido, algumas caches são só para alguns. Mas colocaria a coisa de outra forma: raras são as caches que são fisicamente para todos, se iniciarmos a escala nos portadores de deficiência motora (acho que é assim que se diz agora) não dotados de transporte próprio.