por 2 Cotas » quarta mar 18, 2009 11:03
A ecologia está na moda! Seja lá o que isso for, está definitivamente na moda. Tenho uma ideia aproximada do que seja ecologia, mas não me quero expor aqui a algum fundamentalista que discorde da minha concepção e, por isso, reservo-me de alongamentos.
Só me espanta, não muito convenhamos que já não tenho idade para isso, de ver algumas da diatribes que se afirmam com o mais cândido dos ares ou a maior das convicções.
Não que não haja quem abuse, quem se esteja nas tintas, não saiba o que isso é ou não esteja sequer para dar nesse peditório. Eu por mim tento mais ou menos, ou seja, melhor ou pior, não ir fazendo muita ondulação. Separo lixo e fico banzado com a enorme à-vontade com que vejo os serviços municipalizados tratarem, ambientalmente e localmente, esses mesmos resíduos. Poupo na água, principalmente por que é cara, e percebo que os serviços de distribuição, desperdiçam 30%, sim 1/3, disso que apelidam de bem precioso na altura do pagamento, em roturas subterrâneas ou deficientes ligações ou armazenamento. E não estou a falar de evaporação natural, estou a falar de canos rotos, depósitos fendidos e ligações defeituosas.
Reparo com algum espanto na proliferação de rodapés em e-mails onde se anexa a uma mensagem, por mais mixuruca que seja, um relambório acerca da impressão desnecessária. Como se o efeito desse aviso fosse eficaz na poupança de tintas e não ambientalmente mais violento pelo consumo eléctrico que aqueles 10% de texto a mais provoca aquando do envio de um texto maior. Não era mais amigo do ambiente se não mandassem a mensagem farsola?
Uma das coisas que me deixa mesmo a bater mal é a reciclagem de papel. Papelucho. Primeiro já não se compram folhas de papel. Compram-se resmas! Depois há uns avisos manhosos sobre a reciclagem. Utilize o outro lado! Esse conselho só pode ter saído da cabeça de quem nunca esteva á nora procurando no meio de dúzias de folhas de papel escritas dos dois lados com textos, provavelmente algo relacionados, que já não fazem sentido porque misturados. Melhor fora embrulharem os cachuchos em jornal como era costume há uns anos as peixeiras fazerem nos mercados. Papel esse que acabava a forrar caixotes de lixo, onde agora utilizamos os saquelhos gentilmente oferecidos, com o nosso dinheiro, pelo bom do Belmiro. Só lucro…
Ou introduzir o papel de novo na impressora! A Oki há uns anos chegou a fazer uma nota em que afirmava que a garantia das suas impressoras era anulada com a reutilização de papel. Imaginem porque é que se lembraram disso antes e esqueceram depois. Alguém se questionou sobre uma coisa tão simples, e útil, como a impressão em dupla face não estar ainda implementada universalmente? Queres ver que me vão dizer que é o lobby do papel que não quer…
As mesmas mentes, ambientalmente activas, esquecem-se que a reciclagem de papel é cerca de 1,5 energeticamente mais cara do que a produção de papel novo. E que são plantadas arvores, especificamente, para a produção de papel, que essas árvores são escolhidas com características, algumas das quais, por acaso, até são benéficas, como sendo o crescimento rápido, uma das melhores formas de captar CO2 atmosférico. Dizem os compêndios que a melhor maneira de reciclar o papel é queima-lo e com isso substituir combustíveis não recicláveis, mantendo os níveis de gases de efeito de estufa com saldo zero. Se me quisesse meter em complicações até podia alinhar com aqueles que dizem que um das maneiras de ajudar a controlar a quantidade de CO2 atmosférico era o fomento da utilização de papel, mas eu sou um pouco medricas, nem quero pensar nisso.
A simples existência de seres humanos implica a existência de poluição. Quer queiramos quer não. Não há volta a dar. Aliás, não só a existência de seres humanos, qualquer vida, encerra em si produção de desperdícios. Já olharam bem para uma mata? Uma qualquer! O chão que pisamos é desperdício acumulado. Os agrónomos, principalmente esses, dizem que o solo arável, aquele que tem mais valor, é resultado da decomposição de desperdícios. Não estou aqui a fazer a valorização dos desperdícios, só estou a dizer que é necessário olharmos para a questão sem sermos arrastados pelo politicamente correcto. Há vida, há poluição. Se não houvesse vida, não haveria poluição, ninguém se preocupava com isso e éramos todos ambientalmente muito mais felizes.
Na Lua não há vida, portanto poluição, sendo portanto o mundo ideal. Certo? Bem, se descontarmos a cangalhada que os americanos lá deixaram. Neste caso o bom Thews, com toda a probabilidade, vai atirar com um par de asteróides, recicla-los sob um ponto de vista ambiental, mesmo no sítio onde ficaram os moonrovers e transformar aquilo em poeira espalhada por uns bons quilómetros quadrados. Limpinho e direitinho.
Os mais pessimistas dirão que, daqui a uns biliões de anos, virá uma qualquer raça, Ori, Wrath, ou mesmo a humanidade de memória curta, e sacrificar uns milhares de árvores com relatórios sobre as variações de concentração de iões de lítio na superfície lunar e uns biliões de KW a fazer análises e produzir os supracitados relatórios. Arranjamos sempre de maneira de lixar tudo, mas não estamos sós.
Um dos relatórios que mais gozo me deu ler, apontava para o facto de que uma das principais fontes de metano, umas dezenas de vezes ambientalmente mais nocivo que o CO2, ser a produção de carne animal. Dito de outra maneira, as vacas são umas porcas, (ou que as porcas são umas vacas), (eu tinha que meter esta aqui!). Mas não era isso a parte mais interessante. O mais engraçado era a constatação que a simples digestão, coisa que partilhamos com ambas as ditas, é que é responsável pelo metano. E como todos os animais digerem, todos produzem metano. Nomeadamente os humanos, cuja produção individual é da ordem dos 3 litros diários. Sim, 3 litros diários de metano é a contribuição média de todos, mesmo dos mais ambientalmente conscientes e não estou a falar em dias de maior riqueza em proteínas vegetais. Não, simples dia normal. E a coisa, segundo dizem é universal. Animal igual a metano, em proporção com o seu peso corporal, mais coisa menos coisa. Se o ser humano com uma média de 70 kg, produz 3 litros façam lá as contas. Comecem por reunir todos os animais, desde o mais simples unicelular até ás baleias, pesem-nos, dividam por 23,(3) e tem os litros de metano que malta, aqui entendida no seu sentido mais lato, produz. E não se esqueçam, DIARIAMENTE.
(E quando morremos, o nosso corpo decompõe-se, produzindo alguns resíduos gasosos, entre os quais se encontra, adivinham bem, me….ta…….no!)
Cá para mim não há volta a dar-lhe. Só fazemos é m#$%#. Por isso deixem lá os autocolantes em paz.
